domingo, 16 de janeiro de 2011

Dois tempos


' Se eu fosse embora agora, será que você entenderia? Que há o tempo certo para tudo, cedo ou tarde chega o dia. Se eu fosse sem dizer palavras, será que você escutaria? O silêncio me dizendo que a culpa não foi sua. É que eu nasci com o pé na estrada, com a cabeça lá na lua ...' (Engenheiros do Havaii).

Temos apenas um tempo em comum.
Medido em horas, minutos, segundos, milésimos, dias, meses, anos ...
Se apenas este tempo existisse, poderíamos estar caminhando juntos, lado a lado, mãos dadas, coração uno.
No entanto, há um outro tempo. E ele não nos permite este tipo de caminhada.
É o tempo individual. Eu com o meu, você com o seu, cada um com o seu. O controle também é individual. Insisti em querer manipulá-lo, controlá-lo? Uma pena, esforços em vão.

Apesar da sintonia que o Universo tende a manter, ela não é possível. Cada tempo individual interfere para que isso não ocorra. Vejo, observo casais, chego até me arriscar em analisá-los. Há certas relações em descompasso. Muitas aliás, quase todas na verdade. Porque? O tempo individual não é respeitado.

Mas somos seres de insistência. Seres com pressa e com sede de amor. E na pressa, acabamos arriscando-nos. Pensamos estar amando, mas na verdade, é aquele tipo de amor que não alimenta; alimenta apenas o corpo. Amor superficial.  E na insistência, maltratamos nosso tempo. Enganamos nossos corações. Adiamos cultivar e sentir algo mais profundo. Coisa de alma, saca?

É isso! ... Meu tempo de amar é diferente do seu.

São dois tempos e, mesmo que queiramos, eles não caminham juntos ...

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