sábado, 11 de dezembro de 2010

Eu posso ter sido ...


"Mudanças são inevitáveis conseqüências. Existe um fluxo invisível que não nos permite seguir sempre o mesmo caminho. Nada permanece intacto. Nem as nossas convicções, as nossas idéias, por mais que queiramos que permaneçam. Por mais que o passado pareça reconfortar, a vida não se resume somente a isso. É por isso que existe o Sol. Você acordará de manhã, e ele estará lá, pra te lembrar de que não há nada insuperável. Os dias prosseguem. E como já dizia Nietzsche, aquilo que não me destrói, fortalece-me. Tudo é aprendizado, basta você querer enxergar isso."

Eu posso ter sido ...

Aquela criança, por muitos, considerada incoveniente e agitada. Talvez já deixando marcas da sua personalidade forte, da sua não contentação em permanecer calada ou quieta, quando há necessidade de se manifestar, de se fazer notar.
Aquela criança, ainda bebê, que precisava de umas voltas de fusquinha para pegar no sono, depois de esgotadas todas as outras possibilidades.
Aquela criança que já queria ser independente com as pequenas responsabilidades do dia a dia, que podiam, por ela mesma, serem resolvidas.
Aquela criança que já manifestava gostar da liderança, pois, como dizia a própria mãe, tomava frente de tudo e levava sempre os coleguinhas para fazerem os trabalhos na sua casa.
Aquela criança que ainda não sabia o porquê, mas sempre gostou do fascinante mundo das histórias, das palavras. E que pegava um livro pra ler, e se gostava, lia na praça mesmo, entregava e já tornava a pegar outro.
(...)
Aquela menina que acreditava que a vaca voava ou botava ovo na esquina e, por isso, foi motivo de piada por muito tempo, por parecer tão ingênua e boba.
Mas essa menina vestia uma máscara invisível aos olhos dos que precisavam humilhar,zombar, para se acharem superiores, melhores. E por trás de tal máscara, sabia, desde sempre, que gostava é de aparentar ser assim. Para depois, sozinha, rir incontrolavelmente por dentro e também sentir pena, dos que se achavam tão espertos ...

Aquela adolescente que saiu da sua casa, ainda muito nova, aos 15 anos ( caso lhe interessa os números ), para morar com a tia, tio, prima e primo. Morou 2 anos com eles e por lá fez muitas amizades, mas apenas algumas que valem a pena serem cultivadas, cuidadas e zeladas.
A adolescente que tornou-se a mudar e, dessa vez, morou com 2 primas, todas da mesma faixa etária, com os mesmos medos, com a maturidade ainda não muito aflorada e, deve ter sido isso, juntamente com outros fatores, que tornaram a convivência desafiadora.

A que agora, numa transição entre a adolescência e a fase adulta, mesmo achando que sempre foi mais adulta que muitos já na casa dos 30, sente uma saudade imensa, que chega a doer ...
Sente saudade do aconchego do lar, do pão de queijo da avó e até das brigas com os irmãos.
Sente falta de ser moradora e não apenas uma visita ...
Mas sabe que agora que ganhou o mundo, essa saudade não cessará. Ela vai sempre permanecer no coração, como uma bala alojada.

Eu posso ter sido tudo isso e poderia até ter sido mais ...
Mas de uma coisa tenho certeza : sou hoje o que sou, graças a infância que tive, aos pais que ainda tenho, às vivências vividas, às dores sentidas, aos valores e príncipios passados, enfim, à tudo por mim absorvido, com tamanha intensidade.
E tenho mais certeza ainda : igual é com a natureza física, em que nada se perde, nada se cria, tudo se transforma ( Lavoisier ), também é com a nossa natureza - a Humana.
Tenderei eu à obedecer essa lei, buscando sempre um melhor aperfeiçoamento, uma nova metamorfose ...
Para não ser amanhã, o que sou hoje, muito menos o que fui ontem.

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