«Ora, a solidão, ainda vai ter de aprender muito para saber o que isso é, Sempre vivi só, Também eu, mas a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós» José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis, p. 220.
Estou sozinha. Ao mesmo tempo em que o tédio e pensamentos me tomam, como se eu fosse a última gota de um vinho Italiano derramado, tenho um imenso prazer de tê-la ao meu lado, querida companhia. És, sem dúvida, a maior fonte de enriquecimento e reflexão. Me instiga para a compreensão do meu próprio ser. Tarefa árdua, mas extremamente desafiadora e surpreendente. Incomparável é mesmo ti. Me preenche de uma forma tão plena que de nada necessito para estar melhor. São só nós duas nesta cama, neste quarto, neste apartamento, neste condomínio, nesta cidade, neste estado, neste país, neste planeta, neste universo único nosso! Estamos fundidas em um só ser e é isso que justifica a imensa cumplicidade e confiança que temos uma com a outra. Reciprocidade transcendental. Buscamos juntas os prazeres mais ocultos, as dores mais profundas, os sentimentos mais sutis e significativos. Buscamos estar sempre em um estágio diferente e superior, procurando nos satisfazer. Nos amamos e nos valorizamos mutuamente. A consideração é, deveras, suprema. Não quero mais nada neste momento, tê-la junto a mim me basta, e é só.

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